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Rede Feminina

Dedicação e delicadeza no combate ao câncer

Juliana Lanari - em 26/04/2013, 12h06
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Flor de pétalas frágeis e aroma inconfundível, a rosa é muito mais que o símbolo da Rede Feminina de Combate ao Câncer. É a tradução de um trabalho desenvolvido com dedicação e delicadeza. Presente em 13 municípios de Mato Grosso do Sul, a Rede conta com a ajuda de, aproximadamente, 300 voluntárias em todo o Estado.

Em Campo Grande, cerca de 40 mulheres prestam assistência gratuita a pacientes com câncer. “Nós trabalhamos com o lema: ‘Quem ama cuida, doa-se e cresce’”, explica a presidente da Rede na Capital, Rosângela Ferreira Monteiro.

No Hospital do Câncer Alfredo Abrão, o dia começa com as voluntárias servindo aos pacientes – em média, 200 por dia – o famoso “chá com pão”. Remédios, cestas básicas, cadeiras de roda, fraldas descartáveis, perucas para as mulheres que perderam os cabelos devido à quimioterapia, próteses de polietileno, para as que retiraram a mama, e produtos de higiene pessoal são oferecidos gratuitamente pela Rede Feminina de Combate ao Câncer. São gestos de carinho que fazem toda a diferença para quem está fragilizada pela doença.

Para as pacientes que são do interior do Estado e não têm condições de pagar a hospedagem e nem a alimentação durante o tratamento, a Rede Feminina disponibiliza a Casa de Apoio Carmen Prudente.

Com capacidade para abrigar até 20 mulheres de uma só vez, o local possui refeitório, onde são oferecidas cinco refeições balanceadas por dia, além de uma copa e de quartos com televisão e banheiro. No ateliê, voluntárias e pacientes produzem peças de artesanato e as próteses de polietileno, oferecidas gratuitamente a mulheres que retiraram a mama por causa do câncer.

A costureira Graça Aparecida Russiano, 58, luta contra um tipo agressivo de câncer de pele há 12 anos, e há cerca de um ano hospeda-se na Casa de Apoio sempre que vem de Naviraí para fazer a quimioterapia. Mulher forte, simples, criada na roça, Graça não esconde os motivos que a fazem voltar ao local a cada 25 dias.

 “A casa é muito limpa, a higiene do lugar é impressionante. E se eu quero comer alguma coisa, elas vão lá e compram. Dão shampoo, escova de dentes, sabonete... Onde é que você vai ter uma mordomia dessas?”, questiona a paciente de olhos vividos e força na voz.

A venda de roupas, sapatos e brinquedos doados pela Receita Federal e por doadores anônimos é feita em um bazar montado dentro do Hospital do Câncer, uma das fontes de renda da Rede Feminina. Os produtos são comercializados a valores muito baixos.

As voluntárias também organizam churrascos, bingos e vendem o artesanato produzido na Casa de Apoio. “Para arcar com todas as despesas, nós esperamos que a prefeitura retome um convênio em que eram repassados R$ 2.500,00 à Rede Feminina por mês. Os gastos com água, energia elétrica e com a alimentação das pacientes são muito altos”, afirma Rosângela.

As doações em dinheiro feitas por pessoas que preferem ficar no anonimato fazem com que as voluntárias realizem sonhos. Em breve, será inaugurada a primeira Casa de Apoio masculina a ser administrada pela Rede Feminina.

O prédio está sendo construído no mesmo terreno da unidade feminina, e terá capacidade para abrigar até 16 homens por vez. Além de quartos com banheiro, haverá refeitório, minicozinha e ambulatório - para que o paciente, se preciso, tenha atendimento médico.
 
Missão cor-de-rosa

O cor-de-rosa dá o tom do trabalho desenvolvido pela Rede Feminina de Combate ao Câncer. As voluntárias são reconhecidas porque vestem camisetas dessa cor, e a decoração - tanto da diretoria-executiva, que funciona no Hospital do Câncer, quanto da Casa de Apoio - segue a regra.

Cortinas, sofá, até o relógio de parede é rosa! A ação “Outubro Rosa”, de prevenção ao câncer de mama, recebe esse nome em todo o mundo e, é claro, não poderia ser diferente: virou a marca registrada do combate à doença nas mulheres!

À frente desse universo cor-de-rosa que acolhe pacientes com câncer estão as voluntárias. Mulheres que encontraram, na Rede Feminina, uma missão. As histórias de como chegaram ao grupo surpreendem e emocionam.

A presidente, Rosângela, sempre gostou do voluntariado, mas dois fatos marcantes na vida pessoal da pedagoga a fizeram “abraçar” a Rede Feminina: “Em 1992, perdi meu filho. Pouco tempo depois, fiquei grávida e tive uma menina. Quando ela tinha 12 anos, o meu marido morreu e eu agarrei o trabalho voluntário com todas as forças”, relata.

Há cerca de 20 anos, a comerciante Carmen Reis Facione, 62, passou a frequentar os bingos organizados pela Rede Feminina. Via as mulheres de camiseta rosa, queria fazer algo por outras vidas e acabou se tornando voluntária. No início, servia chá aos pacientes e, por algumas vezes, questionava-se: “por que será que estou aqui, fazendo esse trabalho?”. A resposta veio cinco anos depois.

Em 1999, Carmen descobriu, durante exames de rotina, que estava com câncer de mama. “A médica me perguntou se eu não iria chorar. Falei que não, e perguntei: eu vou morrer? Se não vou, por que chorar? Fui para casa e chorei, senti medo”, relembra.

Depois de retirar parte da mama e de passar pelo tratamento, Carmen está curada. Sobre o questionamento que se fazia no início do trabalho voluntário, comenta: “Deus estava me preparando para quando eu tivesse a doença”.

Hoje, além de ser a responsável pelo bazar da Rede Feminina, a comerciante dá o seu testemunho a pacientes e faz orações em grupo, uma forma de acalmar o coração de quem enfrenta o câncer.
 
Pioneirismo e sonhos

Foi em Campo Grande, no ano de 1954, que o médico Alberto Néder criou a Liga Feminina de Combate ao Câncer. Durante 12 anos, o grupo chegou a ser o único serviço de prevenção à doença no então Estado de Mato Grosso. Em 1977, quando a cidade ganhou o primeiro setor de oncologia, no Hospital Universitário, as mulheres da Liga entenderam que era preciso abrigar pacientes vindas do interior. Cinco anos mais tarde, a Casa de Espera Carmen Prudente foi inaugurada.

Em 1996 a Liga se transformou na Rede Feminina, e o Governo do Estado, naquela época, repassou a administração do Hospital do Câncer Alfredo Abrão à Fundação Carmen Prudente, que passou a ser a mantenedora do Hospital e da Rede Feminina de Combate ao Câncer. Uma história de pioneirismo e de sonhos realizados.

A Rede Feminina de Mato Grosso do Sul está ligada à Rede Feminina Nacional de Combate ao Câncer, criada em 1978 por Carmen Annes Dias Prudente, mulher que dedicou sua vida ao voluntariado e ao combate à doença.

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