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Nódulos benignos e malignos do fígado

Deve-se realizar uma consulta médica especializada e exame clínico minucioso.

Dr. Fabio Colagrossi Paes Barbosa - em 28/05/2012, 18h05
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Foto: thinkstockphotos.com

O achado incidental de nódulos hepáticos em exames de rotina é uma situação cada vez mais frequente com o aprimoramento e difusão dos exames de imagem. Muitas vezes, a ultrassonografia solicitada para investigação de dor abdominal, prénatal ou por um problema ginecológico, acaba encontrando um nódulo no fígado que não é relacionado aos sintomas do paciente.

Na população geral, a maioria dessas lesões representa afecções benignas, necessitando apenas de seguimento clínico regular, porém, é necessário descartar a presença de tumores malignos. Esse processo investigativo pode gerar uma grande expectativa no paciente, sendo fundamental o esclarecimento sobre os prováveis diagnósticos, riscos e necessidade de tratamento cirúrgico ou apenas acompanhamento.

Dentre os tumores benignos, o hemangioma é o mais comum (acomete cerca de 8% da população), seguido pela Hiperplasia Nodular Focal (HNF). O primeiro é formado por vasos sanguíneos e o segundo se confunde com um tumor, no entanto, ambos raramente causam sintomas e não possuem potencial de malignização, não precisando ser ressecados, apenas acompanhados periodicamente, exceto em casos de dúvida diagnóstica. O 3° nódulo hepático benigno mais comum é o adenoma, mais frequente em mulheres jovens que usaram anticoncepcional por mais de 5 anos (influência hormonal). Ao contrário do hemangioma e HNF, o adenoma pode romper e sangrar em até 1/3 dos casos ou malignizar. O tratamento é, portanto, cirúrgico, principalmente para tumores acima de 5cm. A gravidez também deve ser evitada (até que a lesão seja ressecada) e os anticoncepcionais suspensos.

Dentre os tumores malignos, o Carcinoma Hepatocelular (CHC) é primário do fígado, mais comum em homens, associado à cirrose, hepatite B e C e esteato-hepatite (causada pela gordura no fígado). Em pacientes cirróticos com tumor, o melhor tratamento é o transplante de fígado. Nos pacientes sem cirrose, a cirurgia deve ser realizada sempre que possível. Há outras formas menos agressivas de tratamento, como a quimioembolização e a ablação por radiofrequência, porém, com resultados inferiores.

As metástases hepáticas (tumores que se originaram em outros órgãos e disseminaram para o fígado) são os tumores malignos mais comuns do fígado. Até pouco tempo atrás, a presença de uma metástase era sinônimo de impossibilidade de cura, recebendo o doente apenas cuidados paliativos. Atualmente, esse conceito mudou com o desenvolvimento de novas técnicas cirúrgicas e quimioterápicos, sendo possível a ressecção das metástases associada à quimioterapia, com chances de cura acima de 50%, especialmente em casos de metástase hepática de tumores do intestino grosso, as mais comuns. O tratamento deve ser individualizado e depende do controle do sítio de origem do tumor e da possibilidade de todos os nódulos serem ressecados.

Em resumo, diante do achado de um nódulo no fígado ao ultrassom, devese realizar uma consulta médica especializada e exame clínico minucioso, buscando-se fatores de risco e sinais de alerta. Além disso, na suspeita de metástase, deve-se investigar os principais sítios de tumores primários como o intestino grosso, estômago, pulmões, mamas, útero e ovários. Um exame de imagem específico e objetivo, como a tomografia computadorizada ou a ressonância magnética, é fundamental. Caso ainda persistam dúvidas, faz-se necessária biópsia do nódulo para confirmar o diagnóstico.

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